Como gerir uma empresa em tempos de crise?

Imagine o seguinte cenário: após uma crise mundial sem precedentes, o seu país se arrasta por um longo período de recessão. Não bastando isso, outra crise, desta vez sanitária, abala o mundo e promete impactar terrivelmente a economia mundial. Roteiro para filme, não é mesmo? Mas não é ficção, trata-se da mais pura realidade.

Daniela Comitre Crise

A organização estratégica das empresas nunca foi tão valorizada quanto nos dias de hoje. Nos momentos de incerteza como os que vivemos atualmente, aqueles que sabem como gerir uma empresa em tempo de crise são líderes supervalorizados e estimados pelo mercado.

Mas a pergunta que fica é: como gerenciar o fluxo de caixa e as finanças para a gestão de crise?

Dê importância à gestão estratégica

Além de nortear os objetivos mais importantes a serem atingidos em um determinado período de tempo, um planejamento estratégico também deve definir como os objetivos serão alcançados e quais recursos devem ser alocados para que as metas sejam materializadas.

Antecipe-se aos problemas

Por mais que se planeje, alguns cenários são totalmente imprevisíveis. Afinal de contas, quem, em sã consciência pensaria que em pleno 2020 teríamos não só uma crise sanitária, mas também econômica e global?

Por mais que um determinado contexto seja completamente imprevisível, há dados preciosos sobre preços de commodities, insumos, pessoal, impostos e outras variáveis de períodos anteriores que podem fornecer uma estimativa do que pode estar por vir. Então, faça uso da tecnologia e aposte na criação de diferentes cenários, tomados a cada 30, 60, 90 ou 120 dias.

Monitore tudo

Um momento de incerteza deixa o mercado volátil e em busca de liquidez. Isso não acontece somente com relação a ativos puramente financeiros como ações, fundos de investimentos ou o câmbio, mas também com insumos, dívidas, contratos atrelados em moeda estrangeira, entre outros.

A depender do contexto de uma crise setorial ou generalizada, considere realizar uma renegociação contratual. É possível que o seu fornecedor prefira manter o contrato com o preço vigente do que perder clientes num longo prazo. Mas como essa situação pode mudar de forma súbita, mantenha os olhos abertos e monitore tudo.

Analise a entrada e saída dos processos

Às vezes, momentos difíceis são oportunidades para identificar possíveis gargalos existentes nos processos habituais do negócio. Analise as entradas (input) e saídas (output) de cada processo-chave para verificar eventuais remanejamentos de recursos, melhorias ou migrações.

Identifique possíveis causas

Durante a checagem de cada um dos setores, talvez você consiga identificar alguns problemas graves que antes passavam despercebidos. Nesse ponto, liste os pontos que considerar mais críticos. Faça uma reunião com a direção do empreendimento e busque o responsável pelo setor.

Gerencie as despesas

Sem um planejamento estratégico, é bastante difícil saber que setores, processos, dívidas ou até contratos podem ser deixados de lado num primeiro momento. O desconhecimento de qualquer estratégia quase sempre resulta em corte na folha de pagamento. Mas essa nem sempre é a melhor decisão. Então, o que fazer?

Reduza tributos

Existem diversas consultorias especializadas no mercado que oferecem recursos de redução de tributos empresariais. É possível que você ou a sua instituição estejam pagando impostos a mais do que necessitam. Às vezes, uma mudança no regime de tributação pode não reduzir tributos, mas capacitar os gestores na conversão do valor pago em investimentos ou em pesquisa e desenvolvimento por meio de ações governamentais, editais, etc.

Análise a rentabilidade das reservas financeiras

Verifique onde as reservas financeiras da empresa estão alocadas. De acordo com o tipo de planejamento adotado, pode ser interessante permitir que esses valores estejam em um fundo de investimentos, aplicados em títulos de tesouro, em algum ativo seguro com rentabilidade próxima à taxa SELIC ou atrelado à taxa de inflação.

Seja transparente com os colaboradores

Por mais que a corporação adote as medidas internas consideradas ideais para o enfrentamento do período de incertezas, os funcionários sempre são influenciados por fontes externas.

Assim, visando evitar que o medo impacte negativamente na motivação deles, pode-se e deve-se tomar medidas para acalmar os ânimos usando de total transparência com seus trabalhadores. Eles precisam ter a noção de que crises são momentâneas e que a empresa conta com um plano para enfrentá-las. Algumas boas práticas para manter os colaboradores informados são:

  • não tomar decisões de comunicação precipitadas;
  • fornecer uma comunicação contínua;
  • não negar ou omitir a crise, colocando “panos quentes”;
  • não subestime ou superestime as situações;
  • antecipe os diferentes cenários;
  • mostre uma liderança forte e encorajadora.

Conte com ferramentas de apoio às decisões

Faça uso da tecnologia a seu favor. Nos dias de hoje, um bom controle financeiro depende de aplicação de inovação tecnológica por meio de um bom software de gestão. Ao considerar algumas alternativas, verifique sempre se a ferramenta possibilitará a redução de falhas de registro, a automação de tarefas-chave e a análise de dados para que você possa se concentrar no planejamento estratégico da empresa.

 

Por fim, um gestor financeiro, assim como qualquer líder dentro de uma empresa, necessita ter uma presença forte, sendo firme e confiável em suas decisões. Afinal de contas, o setor financeiro normalmente é o responsável por ditar o ritmo em como gerir uma empresa em tempo de crise.

Mas não adianta ter um bom líder nas finanças se ele não puder contar com uma equipe que igualmente entenda como gerir uma empresa em tempo de crise. A importância do treinamento contínuo do corpo financeiro é fundamental para a execução das tarefas frente aos desafios.

Por: Geórgia Roncon

 

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